terça-feira, 5 de dezembro de 2023

ESCOLA NORMAL PRIMÁRIA DE MOSSORÓ

 

ESCOLA NORMAL PRIMÁRIA DE MOSSORÓ

A Escola Normal Primária de Mossoró, foi criada através de um Decreto do Governo do Estado (n. 165, de 19 de Janeiro de 1922) e instalada, oficialmente, em meio a solenidades e discursos, no dia 02 de março do mesmo ano, na zona urbana da cidade, com a denominação Escola Normal Primária de Mossoró. Sua gênese se deu, depois de muita luta política, na vigência do mandato do governador Antônio José de Melo e Souza (1920-1923).

A Escola Normal Primária de Mossoró, fôra criada pelo Decreto-lei n° 165, de 19-1-1922, no govêrno do dr. Antônio José de Melo e Sousa, tendo como Diretor da Instrução Pública, o dr. Manuel Dantas. Deve Mossoró essa realização ao espírito esclarecido do então Governador do Estado que, para referendá-lo, teve de enfrentar velada oposição (WANDERLEY, 2001, p. 98).

A organização e direção do novo estabelecimento de formação de professores primários do Estado foi entregue a Eliseu de Oliveira Viana, que se manteve no cargo até 1925. A Escola Normal de Mossoró era destinada ao preparo de professores para as escolas do interior do Rio Grande do Norte, especificamente para Região Oeste do Estado, oferecendo para tanto um curso de formação com duração de três anos. Tais características só foram alteradas em 1934, dozes anos depois de sua fundação, quando, por meio do Decreto n. 693, de 16 de Julho, a Escola Normal de Mossoró foi equiparada ao curso da Escola Normal de Natal, ganhando um novo currículo e tendo sua duração alterada de três para quatro anos.

Tal instituição foi instalada em um lugar específico - Mossoró, cidade que se localiza no Oeste do Estado do Rio Grande do Norte, mais precisamente entre o litoral semiárido e o sertão da chapada do Apodi. Uma cidade que se intitula capital do Oeste Potiguar. A Escola Normal de Mossoró foi a segunda escola de Ensino Normal do Estado do Rio Grande do Norte (RN)

A Escola Normal foi instalada, em um prédio, localizado na Rua Dionísio Filgueira, no centro da cidade (onde atualmente funciona a Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN). O local chamava-se, na época, Alto do Pão Doce. Nesse edifício funcionava, desde 1909, o Grupo Escolar 30 de Setembro e por esse fato o prédio precisou passar por algumas reformas para receber a Escola Normal e permitir o funcionamento das duas instituições no mesmo prédio. A Escola Normal de Mossoró funcionou nesse edifício até 1959. A partir de então foi transformada em Centro Educacional do Magistério Primário de Mossoró e passou a funcionar no prédio do Instituto de Educação de Mossoró, localizado à rua Ferreira Itajubá – Praça Dom João Costa, no bairro Santo Antônio. No decorrer do tempo, recebeu vários nomes, a saber: Colégio Estadual de Mossoró, Centro Educacional “Jerônimo Rosado”. Atualmente chama-se Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio “Jerônimo Rosado”. A existência, nessa instituição, de cursos para a formação de professores é finda em meados da década de 80.

Apesar de ter sido criada somente no ano de 1922, já em 1913, através do depoimento de d. Celina Guimarães, colhido por Walter Wanderley e publicado na sua obra Eliseu Viana: o educador 1890-1960, é possível constatar que a Escola Normal de Mossoró já era um projeto político em nível estadual. A vinda de Eliseu para Mossoró, desde o início, esteve atrelada à fundação da Escola Normal, conforme podemos observar na citação abaixo:

Naquele final de 1913, eis que chega a Acari o Diretor-Geral da Instrução Pública, dr. Manuel Dantas. Era portador de um convite do Gôverno a Eliseu e Celina, da transferência dêles para o Grupo Escolar “30 de Setembro”, de Mossoró. Dizia, justificando-o, que estava precisando de um novo diretor para o Grupo e o nome indicado fôra o do prof. Eliseu Viana. O convite era também extensivo a d. Celina para reger a cadeira Infantil Mista do mesmo Grupo. Falava-se, dizia o dr. Manuel Dantas, na criação da Escola Normal de Mossoró, e podia adiantar que o Governador do Estado pretendia nomear o prof. Eliseu para a sua direção. Era um compromisso que êle viera assumir, desde já. O prof. Eliseu, diante da surprêsa do convite, pôde apenas dizer: - “Ora, dr. Manuel Dantas, é uma honra para mim ter o meu nome lembrado. Sempre desejei criar alguma coisa dentro do ensino e reorganizar o Grupo Escolar de Mossoró e mais tarde dirigir a Escola Normal, é um supremo galardão, um prêmio até” (WANDERLEY, 2001, p. 34).

Como se pode observar, após anos de luta, a Escola Normal Primária de Mossoró só veio a se equiparar com a Escola Normal de Natal em 1934. A partir do ano de 1935, o curso da Escola Normal de Mossoró passou a ser de quatro anos e a contemplar as mesmas disciplinas que a Escola Normal de Natal. Também a partir desse momento o diploma da Escola Normal de Mossoró passou a ter a mesma validade do diploma emitido pela Escola Normal de Natal. Esta pesquisa nos mostrou, então, o quão significativa foi essa instituição de formação de professores para a cidade de Mossoró e que suas características se aproximam as de outras instituições de formação docente da época. Percebemos, portanto, que aqueles que se propõem a pensar a formação de professores, não devem esquecer-se de mensurar a importância histórica da escola normal, já que o passado não é apenas antecedente do presente, mas é a sua fonte.

FONTE - MARIA AURÉLIA SARMENTO

PRIMEIRA TURMA

 

Na primeira turma, foram inscritas 38 normalistas, e, em 19/11/1924, foi diplomada a primeira turma de 11 professores, também, denominados de alunos-mestres, que foi constituída por: Ester Silva, Hilda Lopes, Joel Carvalho de Araújo, Lucilo Wanderely dos Santos, Maria Carmélia de Almeida, Maria Elisa da Silva, Maria Sylvia de Vasconcelos, Moça Veras Leite, Ozelita Cascudo, Quatorzieme Rosado e Raimundo Reginaldo da Rocha.  O paraninfo desta turma foi Dr. Antonio José de Souza, criador da Escola conforme afirma Raimundo Soares de Brito. Talvez, a foto número 01 tenha sido desta primeira turma de professores.

FRANCINAIDE DE LIMA SILVA – IFRN

JUDITE DE CASTRO BARBOSA

 

JUDITE DE CASTRO BARBOSA

Nascida em 8 de abril de 1893, na cidade de Natal, foi nomeada Judite de Castro Barbosa por seus pais Antônio José Barbosa e Maria Getúlia de Castro Barbosa. Faleceu em 1984, aos 91 anos de idade com lucidez, inteligência e sensatez. Teve primorosa educação na casa do Padre Calazans Pinheiro. Aprendeu música e francês. Executava bem piano e bandolim (NOGUEIRA; BARBOSA, 2001)

Aos dezesseis anos diplomou-se no Curso Normal. Casou-se com Severino Bezerra de Melo, colega formado na primeira turma da Escola Normal de Natal, passando a chamar-se Judith Bezerra de Melo. Em 1911, os professores recém diplomados e casados passaram a residir em São José de Mipibú, onde permaneceram até 1922. Voltaram a residir em Natal a partir da aprovação em concurso do professor Severino Bezerra para lecionar no Grupo Escolar Frei Miguelinho. Na instituição, no ano letivo de 1925, enquanto o professor ministrou o Curso Complementar e o Curso Noturno para Adultos, Judith Bezerra assumiu a 2ª Classe do Curso Elementar Masculino

Em 1927, Judith e Severino Bezerra fundaram o Colégio Pedro II que funcionava como internato, semi-internato e externato. Ficava localizado ao lado direito do Teatro Carlos Gomes, atual Teatro Alberto Maranhão. Eles residiam com a família nesse local. No colégio havia a sala de diretoria, as salas de aula, o refeitório, o dormitório dos internos, situado no fundo das instalações. Complementavam a estrutura da instituição, o campo de esporte e um grande pátio de recreio. Antes da inauguração dessa instituição já haviam alunos matriculados nas três opções. Esses alunos vinham do curso particular mantido pelo professor Severino Bezerra. Os alunos internos eram vindos de diferentes cidades do interior como: Caicó, Canguaretama, Ceará-mirim, Currais Novos, Goianinha, São José de Mipibú e Pau-dos-Ferros (SILVA, J., 2009).

Em 1929, com a inauguração do Curso Ginasial, o número de internos aumentou. Passou a receber moças no internato, porque no interior a maioria das escolas ofereciam somente o Curso Primário, e os pais menos favorecidos financeiramente não tinham alternativas de estudos para as suas filhas. Essas moças passaram ocupar o mesmo espaço de convivência das filhas do professor Severino e da professora Judith Bezerra de Melo

A primeira atividade da aula era tomar a lição de cada aluno. Para tanto, eram seguidas a ordem das fileiras dos bancos escolares. A professora Judith Bezerra chamava um aluno por vez, esse aluno se levantava e lia a página da leitura recomendada no dia anterior. O livro era Leituras Morais, de Arnaldo de Oliveira Barreto. A professora era a responsável por supervisionar a roupa, a limpeza, as refeições e o lanche. Também exercia o magistério dando aulas no Curso Primário e aulas de música.

Segundo Barbosa e Nogueira (2001) a professora Judith Bezerra produzia cadernos com diversas canções, poesias e pequenas peças teatrais, algumas delas representadas por seus alunos nas festas comemorativas de fim de ano no Colégio Pedro II. As festas de final de ano do Colégio eram todas preparadas por ela. Apresentava dramas e comédias de sua autoria.

Stella Vésper Ferreira Gonçalves, nascida em Natal em 11 de agosto de 1897, era filha de Euclides Gonçalves e Joana Leitão Ferreira Gonçalves. Devotada ao ensino, foi sempre professora do Grupo Escolar Augusto Severo e, posteriormente, da Escola Normal de Natal. De acordo com o Relatório do Diretor do Grupo Modelo Augusto Severo, do ano de 1914: “A professora Stella Ferreira Gonçalves alia à inteligência um acentuado pendor pedagógico” (LIVRO DE HONRA, 1919, p.4).

Ministrou no ano letivo de 1924 o Curso Rudimentar Misto no Grupo Modelo. Nesse estabelecimento as professoras consolidavam sua atuação no cenário natalense. As professoras Anna Silva de Araújo, Guiomar de França e Stella Gonçalves foram remanejadas em 28 de janeiro de 1920, das Cadeiras que assumiam. “Durante o corrente ano letivo, a professora Stella Ferreira Gonçalves passe a reger a Escola Isolada Feminina, [...] a professora Guiomar de França passe reger o Curso Infantil Misto e a professora Anna Silva de Araújo passe a reger a Escola Isolada Mista” (RIO GRANDE DO NORTE, 1920, p.3).

ESCOLA NORMAL PRIMÁRIA DE MOSSORÓ

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